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Lei Geral das Pequenas é demagógica,
afirma Couri
Sheila Wada
O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria
de São Paulo, Joseph Couri, diverge de pontos
da Lei Geral do segmento que tem sido debatida em
nível nacional. Para ele, a proposta é
demagógica e não representa avanços.
Já o presidente da Frente Parlamentar da Micro
e Pequena Empresa, deputado federal Augusto Nardes
(PP-RS), diz que o debate está aberto e é
possível aprimorar o conteúdo básico
elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Entre os principais itens da Lei Geral está
o aumento do teto de inclusão ao Simples (sistema
simplificado de impostos).
Para
as micro, o faturamento anual máximo para aderir
ao programa passaria de R$ 120 mil para R$ 420 mil
e nas pequenas o valor saltaria de R$ 1,2 milhão
para R$ 3,6 milhões. Couri considera os valores
aquém da realidade do segmento. “No Mercosul,
o marco é de US$ 3,6 milhões então
por que eu tenho que me conformar com R$ 3,6 milhões?
Que avanço é esse?”, expôs,
salientando que as micro e pequenas ficariam em desvantagem
no mercado internacional.
Nardes
concorda que o valor do teto ainda é baixo,
mas frisa a possibilidade de haver avanços
no sentido de elevar o limite. O presidente do Conselho
Federal de Contabilidade, José Mortonio Alves
Coelho, compartilha a opinião e ressalta que
o aumento proposto já é um avanço.
Ele aposta que, uma vez aprovado um projeto, seria
facilitado o processo para mais conquistas.
O grande objetivo da Lei Geral, segundo Nardes, é
de trazer um contingente enorme dessas empresas para
a formalidade. Ele admite que o a perda de arrecadação
da União com a vigência da medida seria
de cerca de R$ 4 bilhões, mas com o aumento
da base e da diminuição da sonegação,
em dois anos o governo ultrapassaria esse valor.
Nesse sentido, a proposta é de que seja realizado
um cadastro unificado de todas essas as empresas na
Receita Federal, assim como de criar uma legislação
única para as esferas federal, estadual e municipal.
“Com a alegação de uma pretensa
desburocratização, está se propondo
uma centralização cadastral que nem
o ditador nazista Hiltler conseguiu. Além disso,
na Receita Federal, que pode meter a mão no
bolso do contribuinte”, afirmou Couri.
O presidente do Simpi ainda diz ser utópica
a idéia de se criar uma legislação
nos três níveis de governo. Ele expõe
que, uma vez pertencente a uma lei específica,
as micro e pequenas ficariam em situação
desfavorável na Justiça no caso de reivindicarem
algum benefício de abrangência local.
Coelho reconhece o risco, mas prefere apostar na redução
da burocracia para o segmento. “Todos estamos
ressabiados por causa dos aumentos e das tentativas
de elevação de tributos. Mas espero
que o governo tenha boas intenções.
A inserção social que a Lei pode trazer
é muito grande. Os informais ainda são
uma parcela pesadíssima.”
Couri também critica a manutenção
da tributação sobre as exportações
aos micro e pequenos empreendimentos prevista na Lei
Geral. No texto está previsto o desconto do
faturamento com o comércio do exterior para
que essas empresas possam se inserir na faixa de adesão
ao Simples. “Pagar por que, se as grandes empresas
não pagam?”, questionou. “Sou a
favor de uma Lei específica, mas que realmente
simplifique a vida desse setor”.
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