| Há muitas carências
sociais que todos esperam que os governos atendam, o que
exige recursos públicos e, portanto, mais impostos
e taxas. Mas poucos propõem reduzir aquela carga
de trabalho dos governos, causando forte impressão
o volume de novas demandas dirigidas aos governantes por
todos os setores e membros da sociedade. Para melhorar
a situação do País, cabe perguntar,
como outros já fizeram, o que cada um de nós
pode fazer. Porque há milhares de idéias
e de empreendedores dispostos a dinamizar a sociedade,
bem como a agilizar a execução de serviços
sob encargo do Estado, de forma que este possa se dedicar
com mais eficácia ao que é essencial.
O SIMPI já fez e continua fazendo
sua parte, facilitando a abertura de empresas, promovendo
a conciliação prévia etc. Mas o
Sindicato, como outras entidades sem fins lucrativos
da sociedade civil, tem condições para
assumir tarefas do Estado que hoje estão emperradas;
o que poderia resolver problemas a custos baixos e agilidade
maximizada. Além de seus já elevados custos,
cobertos com tributos cada vez mais altos sobre o PIB
nacional, o governo deveria evitar ser entrave burocrático
ao desenvolvimento.
Entende-se que é tempo, no Brasil,
de radicalizar o processo de desburocratização
e o acesso à inovação tecnológica.
Sem dúvida, há muitos caminhos a seguir,
mas dentre eles pode ser destacada a necessidade de
superar a prática de formar parcerias entre órgãos
públicos e destes com entidades igualmente dependentes
de recursos tributários. O correto seria ampliar
as parcerias do Estado com a sociedade civil, reforçando-a,
sem prejuízo do poder estatal, e reduzindo-se
os gastos de recursos públicos.
Convém radicalizar na criação
de facilidades a entidades como cooperativas de crédito
e produzir o fortalecimento dos fundos de aval, para
que se saia das amarras dos oligopólios financeiros.
Para exportar, deveriam ser suficientes, tal como na
Coréia, a nota fiscal e a garantia de recebimento
dos valores da exportação. A busca do
mercado externo deve ser facilitada para todos, inclusive
micro e pequenos, porque nele se definem os padrões
de referência de qualidade e preço; e,
portanto, de competitividade e sobrevivência na
economia globalizada.
Hoje, a associação
entre a gestão ineficiente do Estado e as grandes
empresas gera um poder inconteste, de alta acumulação
de capitais e exclusão social. Contudo, sabemos
que de nada adianta a existência de enclaves de
empresas com alta produtividade e lucros, mas cercadas
por um mar de ineficiência e produtividade baixa
no conjunto da sociedade, geradora de pobreza e desemprego.
O reflexo social das conseqüências é
a sempre lamentada concentração de renda
e a correspondente miséria. Esta dualidade começa
na produção dos bens necessários
à vida, portanto na forma de alocação
dos recursos disponíveis. Portanto, é
preciso repetir que uma consciência destes problemas
traz consigo remédios que podem revolucionar,
positivamente, a nossa realidade. |