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Quando a burocracia diminui, até as micro empresas avançam nos mercados externos. A simplificada exportação pelos Correios foi de US$ 8,6 milhões, em 2001, e deve chegar a US$ 27 milhões em 2003. A Secex informa que, no ano de 2002, 17.407 empresas exportaram, mas 70% do valor total foi derivado de apenas 250 empresas. É óbvio que as pequenas empresas, pela sua história, escala de produção, deficiências de capital e dificuldades técnicas e gerenciais, enfrenta sérios problemas para exportar. Mas os problemas maiores podem ser sanados com a desburocratização das referidas 200 leis e 300 atos, normas e regulamentos. Só para começar, as senhas para exportar deveriam ser obtidas em, no máximo, 10 dias, mas têm demorado meses para sair e custam muito.

Se as exportações devem ser ampliadas e incorporadas às empresas como parte de sua estratégia, é fundamental que se amplie o valor agregado, principalmente das indústrias de transformação, superando a predominância das matérias-primas ou semiprocessadas, ainda dominantes nas nossas exportações, quase em moldes coloniais. Para os micro e pequenos, nem sempre a exportação é compensadora, face aos custos e organização requeridos para o negócio, permanecendo o mercado doméstico como fundamental, embora muitos tenham que se defender de contrabando e de outras fraudes.

Uma grande dificuldade para exportar reside no acesso a informações sobre os mercados externos e suas potencialidades e características. Estas informações, se buscadas individualmente, têm um alto custo, mas o governo poderia se empenhar nesta tarefa através de seus órgãos. É preciso incentivar as micro, pequenas e médias empresas, não só no discurso, mas de modo efetivo. Os fundos de aval, sempre prometidos, jamais saíram plenamente do papel – do BNDES - para as micro e pequenas.

Comparando-se com os Estados Unidos e com a Itália, há um espaço a ser ocupado na exportação pelas empresas com até 99 empregados, como se deduz pelo quadro abaixo.

Exportações conforme tamanho das empresas
Tamanho
EUA -1992
Itália - 1996
Brasil - 1998
Empregos
%
%
%
Micro até 19
11,1
17,4
5,0
Pequenas 20 a 99
8,8
26,2
9,1
Médias 100/499
9,6
25,3
18,3
Grandes – 500+
70,5
31,2
67,6

Fonte: BNDES (Texto para Discussão nº 75 – Dados EUA - SBA; Dados Itália - Instat)

É claro que aos empresários cabe papel fundamental nas exportações mas, como noutros países, também o governo precisa se empenhar na realização de políticas conseqüentes. Só para exemplificar, é incoerente tributar, através do SIMPLES, valores relativos a tributos que não incidem sobre as exportações, como PIS, PASEP, COFINS, IPI, ICMS e ISS. Da mesma forma, é incoerente restringir o financiamento de exportações de empresas inscritas no CADIN, até porque com as exportações seria possível saldar débitos. Portanto, o governo pode fazer muito para que micro e pequenos ampliem sua contribuição para a expansão do comércio exterior.

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