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Com metade, ou mais, dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, supõe-se que o foco do BNDES seja gerar empregos. Mas o Banco só financia diretamente acima de R$ 7 milhões, valor mais adequado a grandes empresas e que pode significar mais automação nas indústrias e menos agregação de valor pelo uso da força de trabalho humano. A classificação por tamanho das empresas poderia passar por uma análise crítica: Veja a tabela abaixo.

Classificação de empresas conforme Receita Operacional Anual Bruta – R$ mil
  Simples Estatuto Exportação BNDES
Micro Até 120 Até 244 Até 720 Até 1.200
Pequena 120 a 1.200 244 a 1.200 720 a 6.300 1.200 a 10.500

As médias empresas vão de R$ 10.500 a R$ 60 milhões e as grandes são as que superam a receita de R$ 60 milhões. O Banco divulga que tem ampliado o volume de financiamentos para micro e pequenas, mas nos informes engloba pessoas físicas com ME e médias empresas. Assim, qual é o montante destinado às micro e pequenas no padrão de valores do SIMPLES e do Estatuto? Eles poderiam adotar o padrão BNDES?
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Não temos disponíveis, por ramo de atividade, dados atuais mas, há alguns anos, 70% do valor financiado a micro e pequenas foi aplicado na agropecuária, enquanto a indústria de transformação só recebeu 22%. Aliás, interessante é a metodologia dos cálculos do BNDES para a geração de empregos: informa que os R$ 6.907 milhões, 21% do total, liberados em 2002 para micro e pequenos criaram 612.000 empregos. Significa um investimento de R$ 11 mil por posto de trabalho, valor muito baixo quando considerados os investimentos necessários a indústrias modernas e competitivas. Se nas pequenas o montante pode ser de R$ 30 mil, por exemplo, por posto de trabalho, nas empresas maiores o valor gira entre R$ 200 mil e R$ 1,5 milhão, sempre dependendo da tecnologia e do ramo de atividade.

No BNDES os dados são questionáveis: já houve momentos, que podem se repetir, com queda de 43% nos recursos liberados para pequenos – 1° semestre de 2002 - enquanto para as grandes empresas cresciam 14%, o que, como observou um jornal, gerou mais concentração de investimentos e de renda. Outro financiamento, recente, é o Cartão BNDES que, informa-se, financia o pequeno, mas na verdade financia vendas de médias e grandes empresas cadastradas para as pequenas. Isto posto, o Banco poderia informar melhor sobre o destino dos recursos do FAT, evitando o sigilo bancário, neste caso.

Reconhece o atual presidente do BNDES que 80% dos financiamentos destinam-se às grandes empresas, mas afirma-se que haverá prioridade para as micro e pequenas. Do total da carteira de empréstimos em março de 2003, no valor de R$ 150,7 bilhões, 29,5% (R$ 44,5 bilhões) eram empréstimos diretos e 52,9% (R$ 79,5 bilhões) foram financiados por outros bancos. Os 10 maiores clientes ficam com 22% dos créditos, ou R$ 50,1 bilhões; já os 50 maiores receberam 43,4% dos créditos e os 100 maiores clientes ficam com 88% dos valores financiados. Em geral, são exportadores de comodities, de baixo valor agregado, além de alguns oligopólios, que sempre se movimentam e pressionam. É preciso ficar claro, dentro desta nossa argumentação, que o SIMPI não pede favores para as pequenas. Quer, apenas, igualdade de condições para competir.

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