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É da lógica do desenvolvimento a necessidade de financiamentos, capazes de alavancar os negócios por meio dos fluxos de empréstimos abundantes e de baixo custo. Mas, os micro e pequenos têm extremas dificuldades de acesso efetivo a crédito, apesar das muitas linhas disponibilizadas, quer por bancos do governo quer por bancos privados.

Um estudo do FMI afirma que os bancos, no Brasil, são ineficientes, com um custo operacional que consome 88,8% da receita operacional, 30% a mais do que na América Latina e quase 40% a mais do que no Japão e nos Estados Unidos. E sabe-se que os bancos estão recebendo, só por tarifas, valores que cobrem até 150% dos custos da folha de pagamento. Mas a vantagem maior está nos cerca de R$ 670 bilhões de créditos que financiam o governo, com altas taxas e baixo risco.

Segundo outras análises, os bancos constituem um oligopólio - para alguns, um cartel - construído também por financiamentos de campanhas eleitorais. Seriam 10 bancos concentrando 70% dos ativos – os 5 maiores detendo 49,7% dos ativos totais, 55,3% dos empréstimos, 57,9% dos depósitos bancários. Respondem por uma concentração que, de 246 bancos em 1994, reduziu-se a 180 em 2002. Convém avaliar, contudo, que os três maiores bancos brasileiros somam, juntos, ativos equivalentes a apenas 15% dos ativos de cada um dos dez maiores bancos americanos, o que mostra as deficiências de capitalização da área financeira para uma atuação em escala global.

O fato é que sobram poucos recursos na oferta de crédito no Brasil, que atinge 25% do PIB, enquanto, em países ricos, vai a mais de 120% do PIB. Para os pequenos, outro caminho aventado é a cooperativa de crédito. Atualmente, há cerca de 1.500 cooperativas, mas o volume de empréstimos mal passa do 1,5% do financiado pelo sistema financeiro, enquanto na Alemanha e no Japão o montante chega a 35%. As cooperativas de crédito devem evitar, com controles, as inadimplências que atingiram o setor há alguns anos. Outra alternativa para obtenção de crédito podem ser os Fundos Recebíveis, composto por créditos a receber de empresas, descontados como se fossem promissórias, como sugerido pelo SIMPI. O empresário vende seus créditos, colocados em um fundo, para investidores do mercado de capitais, obtendo recursos para financiamentos, como também já propôs a CVM.

Uma outra questão é a taxa de juros muito maior que incide sobre as micro e pequenas empresas, fato que decorreria do risco maior por inadimplência. Esta afirmação não é correta, pois não há dados de pesquisa que comprovem afirmações quanto à inadimplência dos pequenos e pobres. Ao contrário, quem lê jornais sabe que grandes e reais prejuízos dos bancos vêm de grandes negócios e, mesmo, de imensas negociatas.

Em suma, a ampliação dos financiamentos e a redução das taxas de juros reais são vitais e urgentes para as empresas e para a sociedade. Com as taxas atuais, o retorno médio sobre os investimentos nos bancos é muito superior à rentabilidade de qualquer atividade produtiva. Isto torna a produção desestimulante, já que aplicações no mercado financeiro trazem retornos maiores sem esforço gerencial e riscos de mercado. É urgente a correção deste problema, para que o desenvolvimento seja retomado.

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