| Como já
foi salientado, a legislação tributária
compõe-se de 18.589 páginas de leis com
55.767 artigos e 300 mudanças anuais. Só
do ICMS, são 27 legislações diferentes,
uma para cada Estado, com 3 mil normas em vigor. Isto
já seria suficiente para confundir qualquer empreendedor
que venha a se aventurar no campo empresarial. Até
mesmo os contabilistas, advogados e outros técnicos
ficam perplexos, precisando estudar cada caso com muito
cuidado, o que envolve tempo e custos.
Junto com a burocracia há, também,
sempre divulgadas e pouco corrigidas, denúncias
sobre minorias que se apropriam de cargos públicos
a partir dos quais “vendem facilidades”.
Alguns desses “fiscais de feira” recolhem
migalhas de pobres – talvez o jantar da família
– e dos micro e pequenos empresários. Não
obstante, persiste uma renovada e não confirmada
afirmação de que são os empreendedores
informais e as empresas de pequeno porte que sonegam
tributos. Mas estas afirmações são
negadas por muitos fatos que, continuamente, afloram
no noticiário. Vejamos:
•
Os pequenos não podem ser responsáveis
pelos 30 bilhões de dólares (outros afirmam
que chega a 60 bilhões) remetidos ilegalmente
através do Banestado.
•
Só grandes negócios poderiam pagar os
33 milhões de dólares remetidos por fiscais
do Rio de Janeiro para a Suíça.
•
Um dirigente do Sindicato da indústria da cerveja
revela que, só naquele ramo, há uma sonegação
anual de R$ 700 milhões.
•
Calcula a CPI do combustível que o esquema de
fraudes e sonegações na área alcança
10 bilhões de dólares;
•
Para terminar os exemplos recentes: houve benefício
de R$ 125 milhões para uma única rede
de lanchonetes em recente anistia fiscal, sob investigação
em São Paulo.
Portanto, para além do que destacam
certas manchetes jornalísticas, há um
diuturno movimento de achaques que perpassam a sociedade
em nome do poder público, configurando uma estrutura
negativa que atinge a todos. Os mais fortes eventualmente
se defendem, podem até lucrar com a sonegação,
mas os pobres simplesmente ficam à mercê
destes poderes e sua vida sucumbe, carregando para a
ilegalidade seus empreendedores e eliminando os empregos
que geram.
Mudar esta realidade é
um sonho antigo. Mas é, também, uma exigência
ética necessária para reduzir as críticas
nacionais e internacionais à corrupção
entre nós. Mudar esse cenário é
um requisito premente para uma melhor inserção
competitiva do nosso País nos negócios
mundiais, reduzindo-se o Custo Brasil.
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