| Os especialistas
comentam que o Brasil pagava 25% do PIB em impostos
e agora paga 37%, mas toma empréstimos de mais
uns 5% e, portanto, gasta 42% do PIB. Todos concordam
que este é um montante insuportável para
a sociedade e para as empresas. Mas poucos somam a isso
a sonegação de tributos, que se apresenta
com cálculos variando de 10% a 50% do PIB.
No governo passado, a Receita Federal
informava que para cada real pago outro era sonegado.
No início da década de 90, estudos afirmavam
que a soma total de tributos atingia 43% do PIB. Agora,
o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
– IBPT – informa que a carga legal é
de 51,48% do PIB, portanto 15,03 acima do que é
recolhido. O mesmo instituto informa que o valor sonegado,
portanto, é de R$ 226 bilhões, ou 47%
do total arrecadado. Entre o que é arrecadado
e o que as leis exigem vicejam o contrabando, a pirataria,
o sub e o super faturamento e a corrupção,
ativa e passiva. É o caldo de cultura onde aparece
uma imensa gama de estruturas e comportamentos que têm
um elevado custo para a sociedade, tanto moral quanto
econômico.
Sabe-se que há grandes oligopólios
dominando a economia e a riqueza. No Estado de São
Paulo, há cerca de 900 mil empresas cadastradas
como contribuintes do ICMS. Destas, cinqüenta recolhem
cerca de 43% do total dos impostos, as 100 maiores recolhem
49%, as mil maiores pagam 75%, as 10.000 mais importantes
pagam 94% e 90.000 recolhem 99,8% de todo o ICMS. Se
estes dados estão corretos, a tributação
das restantes 800 mil empresas, micro e pequenas, nada
acrescentam além de custos de fiscalização
que a sociedade paga e que aniquilam os pequenos negócios.
Em nome da transparência governamental, essa questão
deveria ser debatida com a sociedade.
Na indústria, os dados da Fiesp
indicam que o setor produtivo responde por 36% do PIB,
mas paga 64,78% dos tributos arrecadados. Se considerarmos
apenas os impostos indiretos, eles chegam a 58% do valor
adicionado pela indústria, problema ao qual se
agrega o recolhimento antecipado dos impostos –
em média, de 45 dias – o que representa
um alto custo financeiro para as empresas. Sugere-se
que um imposto sobre valor agregado seria uma forma
mais justa de tributar do que a incidência sobre
a receita líquida das empresas, como vem sendo
feito. O PIS e COFINS, por cobrarem impostos onde não
há lucros, descapitalizam e matam as empresas,
ou as conduzem para a informalidade e ilegalidade. Sem
dúvida, impostos cumulativos também são
um fator impeditivo para que micro e pequenas melhor
se integrem nas cadeias produtivas com médias
e grandes, prejudicando o potencial sinérgico
dos sistemas produtivos.
Em suma, todos necessitam de leis
claras e curtas. Isso pode ser conseguido, por exemplo,
com a harmonização das 27 legislações
diferentes e a eliminação de muitas das
três mil normas em vigor para o ICMS; ou, então,
reduzindo-se as 18.589 páginas de textos legais,
com 55.767 artigos e 300 mudanças anuais. Precisa-se
de menos burocracia e, também, de menos tributos,
para que o empreendedor possa dirigir com mais eficácia
seus negócios e investir na melhoria de seus
produtos, criando as riquezas e os empregos de que o
Brasil tanto necessita.
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