| Um novo
indicador para negócios e investimentos do Banco
Mundial – BIRD - mostra que o Brasil é
um dos campeões na demora e nos custos para abrir
empresas: o tempo médio dispendido com trâmites
burocráticos é de 86 dias e o custo corresponde
a 12% do PIB per capita. Para resolver um processo de
falência, o tempo médio é de 10
anos. No Canadá e nos Estados Unidos, são
necessários apenas de dois a quatro dias para
iniciar um novo negócio e o custo da operação
é de, tão somente, 1% da renda per capita.
Da perspectiva do empreendedor, deve-se
questionar qual é o custo de 86 dias de espera
para quem tem que trabalhar para comer, vender e tirar
notas fiscais? É um custo muito maior do que
R$ 1.000 (os cerca de 12% de uma renda per capita),
um imenso desperdício de energias sociais. No
Brasil, são abertas anualmente cerca de 500.000
novas empresas e outras só não surgem
por conta das demoras e dos custos. Mas os custos são
muito maiores se considerarmos que 70% das empresas
abertas morrem no prazo de 3 anos. O Sebrae estima gastos
de R$ 500,00 e um prazo de 45 dias para abrir uma empresa,
sendo que 92% dos candidatos a empresário formal
precisam recorrer a um contador.
Nem sempre o problema decorre da legislação.
No SIMPI, com sua prática decorrente da utilização
do modelo de gestão desenvolvido para abertura
de empresas, constata-se que, tecnicamente, bastam duas
horas para abrir uma empresa e que os custos somam cerca
de um décimo do valor indicado pelo BIRD. Há
mais de seis anos, o Sindicato desenvolveu o sistema
Empresa Aberta, hoje totalmente aprimorado. Mediante
convênios, investiu na unificação
eletrônica dos trabalhos da Receita Federal, da
Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo,
da Prefeitura Municipal e da Junta Comercial.
Este sistema, hoje especializado ao
extremo e operado por pessoal capacitado e treinado,
mostra que qualquer demora acima de duas horas para
a abertura de micro e pequenas empresas decorre de fatores
alheios ao sistema técnico. Se o sistema de gestão
do SIMPI fosse aplicado em todo o País, o Brasil
seria um campeão na agilidade em abrir empresas.
A taxa de mortalidade das novas empresas
é alta – 50%, em dois anos – e poucos
fecham formalmente as empresas que não sobreviveram,
porque isso custa demais para quem, em regra, já
perdeu muito ou tudo. Outros procedimentos burocráticos
também oneram em demasia os pequenos negócios
de gente que se expõe a sobreviver no mercado
de negócios. Tudo poderia ter o tempo reduzido,
inclusive os custos que oneram o Estado, que gasta mais
do que recebe pelos serviços prestados.
Não dá para pensar
em modernização e desenvolvimento, com
trabalho, sem a remoção dos empecilhos
à formalização das empresas e ao
trabalho da multidão de micro e pequenos empreendedores.
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