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Segundo o IBGE, há cerca de cinco milhões de micro e pequenas empresas registradas, sendo que 2,2 milhões têm empregados; outras 10 milhões delas estão no mundo informal, sem registro. Da População Economicamente Ativa (PEA) há cerca de 30 milhões de trabalhadores com registro e 45 milhões sem nenhum vínculo empregatício, sem direito à previdência social. Se quisermos ter uma visão humana e democrática da sociedade brasileira, é da perspectiva da maioria que devemos ver a Nação. É esta maioria, preponderantemente trabalhando na informalidade, que sofre as maiores adversidades, como fome, doenças, falta de mais educação, insalubridade etc, males que terminam por se refletir no todo da sociedade brasileira. Pode-se afirmar que a informalidade, que abarca mais da metade dos trabalhadores brasileiros, é um produto do Estado burocrático, já que este estabelece exigências impossíveis de serem cumpridas pelos mais pobres.

Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros gostariam de ter seu próprio negócio. Este movimento, decorrente de necessidade ou vocação, produziu umas das nossas maiores riquezas, a preservar e estimular, que é a diversidade produtiva praticada por milhões de empreendedores por todos os recantos do País, com alto índice de criatividade. Sem prejuízo da especialização, a diversidade deve ser impulsionada para gerar uma moderna economia auto-sustentada e competitiva. A visão do conjunto das empresas, suas interfaces sistêmicas em todo o território nacional, ao contrário das segmentações territoriais, permite a alavancagem conjunta das empresas de cada setor, condição para um desenvolvimento homogêneo, integrado e tecnicamente atualizado para o futuro.

O peso do Estado é uma herança colonial sempre reproduzida pelas elites tradicionais brasileiras, como afirmam os críticos, que mostram que a nossa sociedade foi construída, de cima para baixo, por poderosos colonizadores formando suas elites e dominando o aparelho de Estado. Os relatórios e controles começam com Pero Vaz de Caminha e sempre se perpetuaram em centenas de órgãos burocráticos que custam caro, dificultam a ação para o desenvolvimento e se mantêm distantes da massa da sociedade.

Segundo estudo do Banco Mundial, uma solução judicial de disputa comercial no Brasil demora mais de cinco anos, o que leva à morte ou definhamento de empresas e empregos. São os impedimentos legais que contribuem, de forma muitas vezes decisiva, para que das 500.000 novas empresas que surgem todos os anos, 35% sucumbam no primeiro ano e 70% em até 3 anos, com a supressão de 350 mil empregos e aumento da massa de necessitados.

A herança da poderosa máquina estatal impede o desenvolvimento das forças produtivas brasileiras. É um estorvo para a sociedade, porque se revela demasiado onerosa e lenta para a parte dinâmica do capitalismo de um país pobre. Não haverá um rápido e pleno desenvolvimento dos empreendedores com este empecilho colocado no seu caminho. Mantida a estrutura que dificulta trabalho, inovação e produção, o desemprego e a pobreza estrutural existentes mantêm-se ou são aumentados. Crescerá a informalidade dos sem carteira e sem previdência, um universo que, segundo o IBGE, já atinge 56% dos trabalhadores.

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