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O Brasil é, hoje, um dos grandes pagadores mundiais de royalties. Segundo estudo da ONU, o setor privado pagou US$ 200 milhões, em 1991, e US$ 2,2 bilhões, em 2001. Quando se fala em pesquisa científica e tecnológica, pensa-se em universidades e grandes empresas, recursos do Estado, grandes verbas – Petrobrás, Embraer etc. Mas a maioria das inovações provém do saber de gente do povo, de trabalhadores e empreendedores que agregam novas técnicas. Esta é a lição de tantas empresas grandes que, acompanhando o toyotismo, buscam e premiam os operários criativos. Os novos conhecimentos nascem do acúmulo de avanços do saber na sociedade, em especial na multidão de empreendedores que arriscam tudo por inovações.

Também na ciência, as pessoas envolvidas sabem que grandes laboratórios são importantes. Mas hoje os pequenos laboratórios podem estar conectados em redes de internet, cada vez mais eficientes, como o sistema grid que conecta e exponencializa as memórias dos computadores. Esta integração rompe fronteiras e cria o novo, acompanhando o dinamismo dos ciclos de vida dos produtos e a diferenciação de gosto dos consumidores. O mesmo está ocorrendo em muitas micro e pequenas indústrias, fundadas no saber prático e na busca permanente por inovação que agrega valor e dá mais competitividade aos produtos no mercado. Com parcos recursos para investimento em pesquisa científica e tecnológica, impressiona observar quanto os empreendedores inovam em suas pequenas empresas. O resultado está no INPI, onde 70% das patentes pertencem a grandes empresas, mas 80% dos pedidos de patentes para aperfeiçoamento de produtos são feitos por micro e pequenas empresas. O problema, além dos custos, é a demora de 1 a 8 anos para registro, porque aguardam exame 50 mil processos de patentes e 300 mil processos de marcas. Isso faz com que muitos desistam.

No apoio da ciência aos pequenos, destaca-se o Disque-Tecnologia (DT), da USP, que surgiu de um convênio com o SIMPI, em 199l, e que já atendeu mais de 22 mil consultas de micro e pequenos empreendedores. O DT inovou porque, antes de oferecer o saber tecno-científico existente na USP, prioriza a recepção da demanda por tecnologias advindas de empresas ou empreendedores. As demandas são encaminhadas aos especialistas da USP, do que resulta um sistema de aconselhamento tecnológico. Mas, parece que ainda falta ao DT maior apoio governamental para que se torne um instrumento mais completo no apoio tecnológico aos pequenos. Noutra ponta, um apoio maior é dado para incubadoras, mas elas atendem apenas cerca de 400 empresas no Estado de São Paulo, quase nada ante as cerca de 140.000 novas empresas que surgem todos os anos no Estado, ou das 1.500.000 existentes.

Hoje, para inovação e desenvolvimento, um requisito fundamental é o uso da Tecnologia da Informação. A TI aproxima o saber de parceiros distantes e relativiza competências próximas. E sabe-se das limitações dos clusters, onde poucas empresas concentram o poder de impor regras às de menor porte, o que prejudica a rede de cooperação necessária. Como constata estudo do IEDI, “na maioria dos casos, não há formas significativas de cooperação entre empresas”. O Brasil não tem o peso cultural da história italiana, nem os 200 anos de shogunato japonês. As realidades são diferentes e nossos empreendedores aprenderam a trabalhar na liberdade, aventura e risco do mercado, tendo dificuldades para se submeter a ditames dos maiores.

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