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Se os empregos não existem sem que haja empresas, estas não sobrevivem sem pessoas trabalhando e obtendo renda para viabilizar o consumo no mercado. No Brasil, no período entre 1995 e 2000, de cada 100 novos empregos, 96 foram criados nas micro e pequenas empresas e só quatro nas médias e grandes, como mostram os dados extraídos do Relatório Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho. Note-se que, aqui, não se considera o trabalho informal, que reúne os 56% da População Economicamente Ativa que trabalha sem carteira assinada, muitos em atividades por conta própria.

Nas indústrias brasileiras, nos últimos anos, o crescimento do desemprego é muito grave. Como se vê no quadro abaixo, a estrutura do emprego formal nas indústrias brasileiras mostra que as grandes e médias só demitem, enquanto as pequenas criam empregos.

Empregos em Indústrias no Brasil – 1995 / 2000
Indústria/ Emprego 1995 2000 +/- %
Micro – até 4 188.507 216.813 + 28.306 + 15,0
Micro: 5 a 19 591.437 745.096 + 153.659 + 26,0
Pequena: 20 a 99 1.082.581 1.246.082 + 163.506 + 15,1
MICRO E PEQUENA 1.862.525 2.207.991 + 345.456 + 18,5
Média: 100 a 499 1.510.758 1.426.418 (- 84.340) (- 5,6)
Grande: mais de 500 1.533.261 1.183.609 (- 349.652) (- 22,8)
TOTAL 4.906.524 4.818.018 (- 88.506) (- 1,8)

Fonte: RAIS

As razões das demissões nas grandes e médias indústrias estão associadas à incorporação de modernas máquinas para a automação do trabalho, devido à terceirização e em virtude de métodos gerenciais que enxugam a mão-de-obra necessária à produção. Por conseqüência, apenas as micro e pequenas, com até 99 empregados, geraram novos empregos no período em consideração. Tudo indica que é uma tendência histórica que vai continuar e mesmo se ampliar, no Brasil e no mundo.

Considerando esta realidade estrutural e continuada, o emprego gerado pelas pequenas empresas seria uma razão suficiente para que elas estivessem mais bem assistidas em termos de financiamentos e redução de custos tributários e burocráticos. De uma perspectiva social, temos aqueles que têm trabalho e renda, formando o Brasil oficial, com ocupantes de cargos com altas rendas, estabilidade no emprego, consumo de importados. De outro lado, estão aqueles sem ganhos mínimos para serem consumidores, para ter cidadania, pessoas que muitas vezes nem recebem o respeito humano que todos merecem.

Reiteramos nossa tese: aos poderes públicos compete dar melhores condições de sobrevivência e crescimento para os micro e pequenos, porque com isto a pobreza extrema e as condições geradoras da miséria podem ser superadas em prazos relativamente curtos.

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